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Gagueira na sala de aula: o que fazer?

Fga. Priscilla Silveira

Os professores, muitas vezes, têm dúvidas sobre o que fazer diante de uma criança que gagueja na sala de aula. As dúvidas mais comuns são: devo solicitar desta criança trabalhos orais, leitura em voz alta ou responder a alguma pergunta em sala de aula? Posso falar com ela sobre sua dificuldade na fala ou devo ignorar?O que devo fazer se os outros alunos mangam da fala dela?

O objetivo deste artigo é esclarecer estas e outras dúvidas que surgem no ambiente escolar, acreditando-se que a mudança de pequenas atitudes diante da criança que gagueja pode trazer uma grande diferença em sua vida.

As crianças da Educação Infantil estão aprendendo a conversar, a lidar com a complexidade de nossa língua. Assim, frequentemente podem tropeçar na fala (apresentar repetições, prolongamentos e/ou bloqueios). Nós chamamos isso de disfluências. É comum algumas crianças apresentarem mais que outras. No entanto, existem crianças que podem ter frequentes disfluências e estas chamarem a atenção dos ouvintes, preocupando-os.

Neste último caso, se o professor desconfiar que pode estar diante de uma criança com gagueira, não chame nenhuma atenção dela para este fato. Converse com a família sobre suas observações e encaminhe para uma avaliação fonoaudiológica, com o intuito de verificar se é realmente gagueira patológica, e procure por orientações deste profissional sobre como deve agir.Já em relação as crianças do Ensino Fundamental, não é normal haver disfluências em excesso, nem esforço para falar, preocupações com sua forma de falar ou tentativas de evitar situações comunicativas. Estas crianças precisam de uma avaliação do fonoaudiólogo para que se verifique se estão com gagueira patológica.

Uma preocupação do professor, diante destas crianças, deve ser: como se espera que ela participe em sala de aula? A resposta a esta pergunta depende da criança. De um lado pode-se ter uma criança que é despreocupada e alegre em participar junto com as outras crianças. Por outro lado, pode-se ter uma criança na qual a exposição a faça chorar, negar-se a falar ou falar com sofrimento. Assim, é importante conversar abertamente com a criança e verificar que situações em sala de aula ela se sente à vontade para participar.

Converse com a criança. Dê o seu apoio.

É aconselhável que converse com a criança em particular. Demonstre suas capacidades e incentive-a a participar. Se mesmo assim ela continuar não se sentindo à vontade, demonstre que não há problema e que ela poderá sempre contar com você, demonstrando que a aceita como a todos os outros alunos.

Respondendo perguntas

Outra dúvida do professor é quando se faz perguntas em sala de aula. Como assegurar o melhor para a criança que gagueja nesta situação?Aqui vão algumas dicas:
- Inicialmente, até ela se adaptar a turma, faça-lhe perguntas que não impliquem em longas respostas;
-Se for fazer uma pergunta a cada aluno, descubra antes se a criança que gagueja prefere que lhe seja logo perguntada ou depois, pois a preocupação com a fala e a tensão pode gradualmente aumentar a cada aluno que é perguntado;
-Assegure com a turma que todos terão o tempo necessário para responder a pergunta, respeitando se algum colega demorar.

Apresentação de trabalho

Este tipo de atividade pode ser muito dolorosa para a criança que gagueja e deve ser adaptada na medida do possível. Se a criança preferir ler na frente, por exemplo, ou apresentar um trabalho por escrito, pode ser uma boa solução.

Ler em voz alta na sala de aula

Nem toda criança que tem gagueira gagueja na hora da leitura. Mas há aquelas que podem até gaguejar mais no ato ler que falando. Saiba que estas podem ser fluentes caso leiam em coro com alguém. Assim, sugere-se que a leitura possa ser feita em duplas, em coro, caso haja alguma criança com gagueira na turma. Não faça a leitura em coro apenas com o aluno que gagueja para que ele não se sinta excluído dos demais. Gradualmente, quem sabe ele mesmo ganhe a confiança em ler alto sozinho.

Lidando com os alunos que mangam da criança com gagueira

A gagueira, muitas vezes, não é aceitável, o que pode levar as pessoas que não entendem a criança que gagueja a brincarem com o seu problema. No entanto, este tipo de atitude pode trazer sérias conseqüências emocionais a mesma.
- se a criança tem sido perturbada pelo seu modo de falar, converse com cada aluno que esteja fazendo isso, individualmente, e explique sobre o problema e as conseqüências desse tipo de brincadeira para o colega.
- caso persista, reúna-os e coloque como inaceitável este tipo de situação, fazendo-os entender o porquê.
- trabalhar com a turma sobre o respeito as pessoas e suas diferenças é um conteúdo sempre bem-vindo em todas as turmas.

8 Pequenas atitudes que fazem grandes diferenças

1. Nunca diga a criança para falar mais devagar, relaxar, respirar antes de falar...
2. A única forma de ajudar o aluno quando estiver gaguejando é ouvindo-o com atenção e paciência.
3. Não complete a frase para a criança. Deixe-a terminar a seu tempo;
4. Auxilie a todos da sala a saberem conversar e ouvir. Todo ouvinte merece atenção.
5. Demonstre que para você interessa o conteúdo da mensagem e não como ela está sendo transmitida. Avalie seu aluno pelo conteúdo.
6. Não solicite da criança que gagueja algo que perceba que não está à vontade para participar.
7. O assunto gagueira não é proibido. Fale sobre ele como se fala sobre qualquer assunto.
8. Faça as adaptações necessárias na sala de aula para auxiliar a criança que gagueja.

Indicação de site sobre gagueira:
http://www.disfluencia.integrafonoaudiologia.com

* Texto adaptado a partir da tradução do folder "The child who stutters at school: notes to the teacher", da The Stuttering Foundation.

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