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Epilepsia e aprendizagem

Fga. Patrícia Melo

A epilepsia é um distúrbio crônico que se caracteriza por crises epilépticas que são manifestações clínicas decorrentes de atividade neuronal anormal e que se localizam predominantemente no córtex cerebral. Fonte: http://www.epilepsymatters.comElas são conseqüências da predisposição persistente do cérebro para gerar eventos epilépticos.

Segundo a ILAE (Liga Internacional contra a Epilepsia), essas crises podem ser classificadas em parciais ou focais, generalizadas e crises não classificáveis.

As crises parciais são caracterizadas pela ativação de uma parte do cérebro, sendo subdivididas em crises parciais simples, quando ocorre a preservação da consciência, e crises parciais complexas, quando há o comprometimento da mesma. As crises generalizadas são aquelas em que há o envolvimento de amplas áreas de ambos os hemisférios cerebrais. E as não classificáveis são as crises que não se enquadram nos dois subtipos acima.

Segundo estudos recentes, crianças com epilepsia têm apresentado alterações no desenvolvimento da aprendizagem que tem se caracterizado como um fator relevante. Esta envolve aspectos como cognição, memória, habilidade para pensar ou usar informações, e as crises podem afetar essas habilidades de diferentes maneiras.

Para cada indivíduo, o efeito das crises no que se refere às suas habilidades acadêmicas e às funções cerebrais será diferente. Assim, uma pessoa pode desenvolver dificuldades para aprender e reter informação enquanto a outra pode permanecer em níveis médios ou acima destes nas atividades acadêmicas.

Algumas crianças com crises de difícil controle podem mostrar um declínio no QI (Quociente de Inteligência), entretanto, este declínio não é necessariamente permanente. Porém, se as crises continuarem a ser severas ao longo do tempo do desenvolvimento acadêmico, o QI permanecerá ligeiramente mais baixo. Como também, se ocorrer diminuição das crises severas ou ainda da freqüência, pode-se haver, em muitos casos, o aumento deste nível do QI.

Os professores devem saber que havendo uma melhoria no controle da crise, as crianças serão capazes de acompanhar bem as aulas, entretanto elas terão que ter um reforço dos conteúdos já estudados a fim de compensar a aprendizagem interrompida pelas crises.

É importante ressaltar que muitos estudos têm mostrado que crianças com epilepsia controlada ou de baixo-severidade encontram-se na média ou acima da média nas habilidades de leitura, de escrita e de matemática, ou seja, não apresentam dificuldades no processo de aprendizagem. Somente em casos de crises severas, as dificuldades nessas habilidades tornam-se aparentes.

Bibliografia consultada

Learning throught Storms – Epilepsy ad Learning. Vol.3, No. 1 < http://www.epilepsymatters.com/english/learning3.html > Acesso em: 30 de abril de 2007.

Wajnsztejn, R.; Jorge, C. L. Epilepsias. In.: Wajnsztejn, R. Patologias Neurológicas da Infância e Adolescência: Aspectos Práticos. São Paulo: Atheneu, 2003. Cap. I

Valente, K. D. R. Classificação das Crises Epilépticas e Epilepsias. In.: Melo, A. N. de.; Yacubian, E. M. T.; Nunes, M. L. Crises Epilépticas e Epilepsias ao longo da vida: 100 questões práticas. São Paulo: Segmento Farma, 2006.

Fontanelle, L. C.; Pires, L. C. Epidemiologia e Definições. In.: Melo, A. N. de.; Yacubian, E. M. T.; Nunes, M. L. Crises Epilépticas e Epilepsias ao longo da vida: 100 questões práticas. São Paulo: Segmento Farma, 2006.

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